domingo, 26 de abril de 2009

Depois, a bigorna.

E eis que curto a insônia ao lado de Campos:

Não sei qual é o sentimento, ainda inexpresso,
Que subitamente, como uma sufocação, me aflige
O coração que, de repente,
Entre o que vive, se esquece.
Não sei qual é o sentimento
Que me desvia do caminho,
Que me dá de repente
Um nojo daquilo que seguia,
Uma vontade de nunca chegar a casa,
Um desejo de indefinido.
Um desejo lúcido de indefinido.

Quatro vezes mudou a 'stação falsa
No falso ano, no imutável curso
Do tempo consequente;
Ao verde segue o seco, e ao seco o verde,
E não sabe ninguém qual é o primeiro,
Nem o último, e acabam.

(CAMPOS, Álvaro. Clearly non-Campos! In. PESSOA, Fernando. Poesia completa. Rio de Jeneiro: Nova Aguilar, 1998. p. 421.)

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