Descobri-me depois de alguma reflexão simplíssima: descobri-me pessimista.
Ser pessimista está para além de um simples estado de alma ou de condição efêmera, humana. Eu não estou, eu sou. Eu sou pessoana (o redescoberto diletíssimo, poeta da minha alma), e sou drummondiana, rosas.
E como tal, humana que sou, retiro-me tranquila do circuito das gentes hipócritas, dos humanos-preconceitos, das vis negações de socorro, da maturidade (eu não quero ser madura, nunca). Ponho-me à parte da inútil moral que, falsa, permeia o olhar dos que me observam os passos livres, leves como os de uma criança.
Eu sou a mulher que sabe a hora de se retirar. Eu sou a pessoa, a gente que conhece o espaço que lhe cabe. Eu sei gritar-me, expor-me – e não me envergonho de ser quem sou, como sou. Excessiva. Ferida exposta, aberta à contemplação sórdida das pessoas que passam. Mas também sou a flor-de-lótus.
Sou o excesso, o inverso do que a civilização impõe, sou não-a-mim.
Eu não me envergonho de ser clara, de me colocar nua diante dos homens nos quais ainda creio. Eu tenho vergonha dos que negam o abraço, dos que fecham o abrigo. Eu tenho vergonha da mesquinharia, da leviandade. Eu tenho vergonha de não ser-humana.
Assumo, pois, meus paradoxos: estou entre sábia e parva, grande e pequena, adulta e criança, e me locomovo entre esses estados de mim da mesma forma com que busco crescer e me encantinhar. Mas me jogo na vida sem rasuras, e sou pessimista, hoje, assumo. E me sinto melhor aqui: no canto do mundo, no abismo, no mundo, sendo a anti-gente, mas a gente do Rosa: o que existe mesmo é homem humano. Por isso me resguardo. Eu tenho medo do homem humano.
Novembro.
Ser pessimista está para além de um simples estado de alma ou de condição efêmera, humana. Eu não estou, eu sou. Eu sou pessoana (o redescoberto diletíssimo, poeta da minha alma), e sou drummondiana, rosas.
E como tal, humana que sou, retiro-me tranquila do circuito das gentes hipócritas, dos humanos-preconceitos, das vis negações de socorro, da maturidade (eu não quero ser madura, nunca). Ponho-me à parte da inútil moral que, falsa, permeia o olhar dos que me observam os passos livres, leves como os de uma criança.
Eu sou a mulher que sabe a hora de se retirar. Eu sou a pessoa, a gente que conhece o espaço que lhe cabe. Eu sei gritar-me, expor-me – e não me envergonho de ser quem sou, como sou. Excessiva. Ferida exposta, aberta à contemplação sórdida das pessoas que passam. Mas também sou a flor-de-lótus.
Sou o excesso, o inverso do que a civilização impõe, sou não-a-mim.
Eu não me envergonho de ser clara, de me colocar nua diante dos homens nos quais ainda creio. Eu tenho vergonha dos que negam o abraço, dos que fecham o abrigo. Eu tenho vergonha da mesquinharia, da leviandade. Eu tenho vergonha de não ser-humana.
Assumo, pois, meus paradoxos: estou entre sábia e parva, grande e pequena, adulta e criança, e me locomovo entre esses estados de mim da mesma forma com que busco crescer e me encantinhar. Mas me jogo na vida sem rasuras, e sou pessimista, hoje, assumo. E me sinto melhor aqui: no canto do mundo, no abismo, no mundo, sendo a anti-gente, mas a gente do Rosa: o que existe mesmo é homem humano. Por isso me resguardo. Eu tenho medo do homem humano.
Novembro.
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