quinta-feira, 1 de abril de 2010

"O guardador de rebanhos", Caeiro, Pessoa e eu ortônimo

O que eu ia dizer é que sistematizei a minha leitura d'O Guardador de Rebanhos. Desde que vi a cômoda em que Alberto Caeiro escreveu os poemas de uma vez só (sic), e fiz malabarismo para tocar a cômoda, eu nunca mais li o FP de outra maneira que não fosse em total reverência. É impressionante a energia que a Casa do Fernando Pessoa tem. Eu não sei bem se sou suspeita para tais assuntos, tendo em vista que, realmente, ele é o meu Poeta, ou se realmente tem uma coisa boa em Portugal: Pessoa. Aliás, preciso dizer que pastéis de Belém (em Belém), bacalhau (em qualquer lugar). Vinho do Douro e do Alentejo também fazem de Portugal um lugar diferente. Ok, ok, Lisboa é convidativa. Tem uma luz própria. O Porto também. Percebo que me desvirtuei do assunto central. Mas volto já: reler o AC me fez um bem enorme. Estou em um momento diferente daquele em que li, me enganando, dizendo que era por prazer, mas era um pouco por obrigação e outro pouco por vaidade. Chegava à minha casa (aqui em ST), fazia todas as coisas obrigatórias, e me deitava com Caeiro. Verdade que folheava os meus outros homens, roçava os olhos por Campos e Reis, mas meu maravilhoso ainda não chegou: O Bernardo Soares. Com isso, constato que sou mulher de vários homens, entre clássicos e futuristas, exacerbados e contidos. Eu gosto daquele monte de Pessoas de Pessoa. Realmente tenho orgulho de falar português, por ser brasileira e por Pessoa existir.

Agora, me preparo para ser mulher de um homem só, de carne e osso. Enquanto isso, ainda durmo com quatro, ao mesmo tempo. E espero o quinto, BS.

A propósito, desses quatro eu fico pensando: O pastor amoroso é sublime. Eros e Psique sempre me assombra com a sua beleza. Aniversário me arrepia a qualquer tempo que eu o leia. E as odes de Reis me encantam. Eu não tenho palavras para exprimir as sensações que esses homens conseguem me causar. Paro por aqui.

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