segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Mexendo no passado

Um dia, N recebeu uma carta assim:

"Querida N, quando até meus alunos me param para dizer como estou magro, e outros para me perguntar porque estou triste, não é exagero dizer que estava morrendo, adivinhando seu ódio por mim. Ao ler suas palavras, choro como uma criança que, após anos crendo-se órfã, finalmente encontra os pais. Ainda não inventaram um adjetivo para mensurar o tamanho do bem que suas palavras me fizeram. Preciso de uma intervenção cirúrgica para "destatuar" você de minha pele. Mas, se desejar-lhe não me convém, nada me impede de amá-la. E, N, seu altruísmo, sua compaixão, seu cuidado, me fazem amá-la como nunca. Sua bondade me devolveu a vida. Devo-lhe minha própria vida. Por isto, serei eternamente grato. Obrigado... obrigado... obrigado... obrigado... (PS: Que alívio saber que f. era fictício, achei que você realmente tivesse sofrido aquilo!) Já que não posso visitá-la no Orkut e nem mandar e-mail's, posso, pelo menos, continuar lendo seus blogs? Prometo não escrever mais nenhum comentário!"

É verdade que o amante de N não escreveu mais. Nem se sabe se ele existiu um dia. O que se sabe é que ontem N se lembrou de uma história fluida, diáfana, das terras de mar e Rio, e quis sentir alguma coisa de novo. Encontrou o epitáfio.

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