sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Da consciência da não-poesia, e da necessidade de dizer.

refaz das ruínas as cinzas da pele rasgada pelas pontas dos teus dedos
deixa escorrer o beijo pelas colunas do corpo.
refaz o corpo.
talha as linhas do rosto costura os fios dos cabelos deixa-me estar perdida em teus recantos.
e silencie a melancolia dos momentos inconsoláveis
de tua distância atlântica.
faz-me versos dos teus dedos - os mesmos que desenharam as linhas do pescoço e
as montanhas inabitáveis dos seios.
faz-me versos de desconsolo e saudade.
que são tuas mãos firmes paralelas em têmporas salgadas de ilha
são tuas mãos que apontam as veredas e me põem de olhos nos seus.
neles me revejo, inteirapartindo
desliza a ponta dos dedos e projeta o rosto, adivinha a alma,
rapta o ser.
porque o silêncio, amor, é a fronteira da dor e da esperança.

(setembro 2013)

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