COMO LEVE PLUMA
MUITO LEVE LEVE POUSA
NA SIMPLES E SUAVE COISA
SUAVE COISA NENHUMA
SOMBRA SILÊNCIO OU ESPUMA
NUVEM AZUL QUE ARREFECE
SIMPLES E SUAVE COISA
SUAVE COISA NENHUMA
QUE EM MIM AMADURECE."
Essa é uma música do Secos & Molhados... Leve, linda!
I) E lá fui eu, ontem, mais uma vez, ao Doce Delícia, fazendo a vida melhor para mim. Como a decisão mais importante que tomei em 2009 foi a de fazer coisas boas por mim mesma - o que significa, inclusive, gastar menos com futilidades e investir no bom almoço de domingo, meus cinemas e vinhos - tenho cumprido fielmente cada letra da "promessa". Amo o meu salmão com gergelim, a Stella Artois gelada. Café. Sessão das 17h. E uma boa companhia, despertada do desejo de... ver-me a mim, frente a frente, sem armas.
II) Por um momento, me senti tão só ontem - domingo lindo de sol - que a perspectiva da manutenção da solidão - casa e casa... - nem passou pela minha cabeça. Fui eu, feliz, e de coração muito aberto, fazer meu programa dominical. Tive uma companhia deliciosa - e devo admitir, nesse escrito cheio de apostos, que sentia falta de tantas horas de conversa sem cansar, e uma caminhada noturna da Afrânio até minha casa, renovadora, restauradora de muitos sentimentos. E uma certa emoção diante de um reencontro que prometia mesmo ser feliz. Nada como voltar no tempo, pedir perdão, e seguir cantando do Leblon até Copacabana.
III) Vou gastar cada pedacinho de papel da minha microagenda esse ano. E queimá-la no final. Na verdade, a confissão de hoje escrita nela, é constatação: estar junto nem sempre é condição para não se sentir só. E a sensação de solidão é maior quando vem junto com o sentimento de abandono. Enfim, só para chorar as chateações e matá-las com a concretude das palavras.
IV) Há mesmo o humano, condição nossa. E é absolutamente sob o signo da leveza que constato essas pequenas solidões. No fim - não no fim da vida - mas em qualquer fim, a condição inexorável da existência é estar só. E contra isso não há remédio. Entendo os caminhos e sei que eles me trazem de volta a mim mesma; e não me reúne aos demais. Isso é muito mais humano que triste... Humano.
V) A vida não muda se a gente muda de lugar.
VI) Continuo com a boa sensação de que as coisas estão acontecendo na hora certa - ou estou eu mesma fazendo com que elas aconteçam (nada mal... o aposto dentro do aposto) - e estou feliz por ter me dado algumas chances, por voltar a gostar de, simplesmente, estar. Nós nos desaprendemos quando nos deparamos com o inominável. O inominável tem um gosto bom, de música de Tom, de sorvete, de poesia.
(Música de agora: Chovendo na roseira, Edu e Tom... "Olha, está chovendo na roseira/que só dá rosa mas não cheira/a frescura das gotas úmidas.../Pétalas de rosa espalhadas pelo vento/um amor tão puro carregou meu pensamento...")
Nenhum comentário:
Postar um comentário