sábado, 3 de outubro de 2009

Manhã de sábado e chuva

Tenho a doce sensação de descanso aqui em ST. A minha rotina – sem a conotação dura que a cidade grande imprime ao significado dela – é suave: eu dou aula do que gosto. Agora, vou dar aula do que amo, por uma – feliz – demanda e solicitação do ISP, aula de Literatura Portuguesa. Então, estou, como se diz, feliz da vida: literaturas portuguesa, africana e brasileira (e creio que haja aqui uma ordem de predileção), e mais uma disciplina cuja “cara” estou eu mesma criando (é bom criar!). Além de estar lecionando as “cadeiras” de que gosto, tem outro fator que não posso definitivamente deixar de mencionar: eu dou aula para um público que quer aprender. Que me ouve com respeito, que está ajudando a reconstruir em mim as bases da minha carreira, que está me ajudando a amar de novo o “estar” em sala de aula e o – mais definitivo – “ser” professora.
Conto um episódio: tal como os alunos, eu também estou dando meus primeiros passos na teoria que rege a literatura africana, os movimentos de negritude. Pedi um pequeno seminário (sem valer nota – óóó) sobre os quatro movimentos fundamentais de renascimento e revalorização da cultura negra e africana (quais sejam: o New Negro, Indigenismo Haitiano, e os Negrismos em Cuba e no Brasil). Foi linda a apresentação dos trabalhos! Estou muito feliz por conseguir mobilizar um público que trabalha muito, que nem sempre tem tempo pra se reunir e trabalhar com assuntos relacionados ao curso de Letras, e que fez com carinho e seriedade o trabalho solicitado!
Ontem eu conheci também o Centro de Língua Portuguesa, subsidiado pelo Instituto Camões. A leitora que cá está é um amor! Há muita literatura portuguesa lá, alguma literatura africana, pouca literatura brasileira (mas há um livro do Edilmilson!!!) Encontrar o livro do Edimilson lá foi uma surpresa muito boa. Aqui, tão longe, me senti tão em casa, tão perto... (o interessante é que se trata de um perto diferente, é uma alma amalgamada – adoro juntar essas duas palavras!).
Voltando à rotina suave: sexta é um dia meio chato pra mim, por falta do que fazer. Estou pensando numa coisa para se fazer no tempo em que tudo se fecha lá no ISP. Almocei MUITO, cochilei numa sala vazia, dei aula de novo às 15h. Tive de ir à Embaixada resolver burocracias, fiz comprinhas... e, pela primeira vez, comprei um vinho! Cheguei a casa, falei no MSN, enviei emails com a dificuldade de sempre, tomei um banho loooooongo e fresco. Fiz uma sopa (finalmente descobri aqui umas sopinhas boas e honestas), abri o vinho à força (me lembrei de mim e da Val com a garrafa de vinho entre as pernas, desesperadas pra rolha pular pra fora logo!!!), ri muito sozinha... Comi, bebi um quarto da garrafa do vinho, e me deitei antes das 22h. Liguei um pouquinho o ar-condicionado, programei pra desligar no meio da noite e antes das 6h30 eu estava de pé. Andei pela casa, li umas linhas do Equador, bebi água, vi se estava com sol ou chuva (tinha um sol enorrrrrme) e decidi que, como aqui o tempo passa muito devagar, resolvi me deitar de novo e ficar pensando na vida. Antes, tenho de me lembrar, matei um bicho terrível no banheiro. Estou me tornando uma matadora terrível de insetos estranhos. Já exterminei aranhas também. Tem-se que aprender a viver assim...
Agora são 11h04 e, depois de um café da manhã maravilhoso que eu preparei (café fresco na cafeteira italiana – café da terra santomense –, pão integral da padaria que adotei para mim, a Almar – de um braileiro, o Mário! –, mamão e um “sumo” Minute Maid de vááárias frutas, muito fresco e gostoso), estou ouvindo pela primeira vez o “Zii e Zie”. Sou suspeitíssima para emitir qualquer opinião sobre o Caetano, porque sou apaixonada por ele. Mas arrisco a falar com imparcialidade que o disco é criativo, tem uma sonoridade sempre inovadora e diferente e elegante (como tudo o que Caetano faz), e, agora, ouvindo a canção Lapa (Nova Capela, Fundição Progresso, Circo Voador, samba e rock’n’roll), praticamente me transporto para lá e sinto saudade! Ah, a Lapa!!! E o Rio!!! Isso me enche de saudade!
Ontem eu chorei feito criança quando vi que a minha cidade do coração vai sediar as Olimpíadas. Desejei me transportar para Copacabana e me reunir àquela festa linda que se fazia lá. Para ser sincera, eu não sei se é bom ou ruim sediar os jogos. O que eu sei é que, daqui, de fora, senti muita emoção sabendo que ganhamos!
E fico aqui por hoje. Levando a vida no “leve leve”.
(Ouvindo Come as you are, no “Foreign Sound”…)
PS.: aqui, sumo é suco e suco é molho. Muito difícil assimilar!

2 comentários:

Debora disse...

cafeteira italiana!! :)

Laís Relvas disse...

Então, volta pros jogos...