sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Fragmentos, esperando...

Enfim, cá estou. Molemente, tentando decifrar os meus últimos dias. Sem literatura, para os que me lerão (se lerão). 22h19min exatamente no meu reloginho, à direita do monitor. Decidi deixar o celular bem longe de mim, e escrever, e ouvir "Um girassol da cor do seu cabelo", do Lô Borges. Quero dizer com isso: ouvir apenas "Um girassol..." Zil vezes.

Tanto têm me tocado as músicas nesses últimos dias... Devo admitir que só ela (Música) me salva da loucura em que me meti... em que estou metida nos últimos dias. A tal ponto a música tem sido remédio, que saio de casa com aquele miserável mp3 tocando alto para abafar os barulhos da cidade, e me perco, surda, pelos caminhos, mergulhada até a alma na música.
O que tem no mp3??? Jorge Drexler ("Soledad" é linda), Camelo, Ella e Louis Armstrong, Ney cantando Cartola, Marina Machado (um pop nisso tudo). E o "Girassol". E desejos incansáveis de que a vida seja mais bonita. Bela, mesmo.

Ao olhar ao meu redor, percebo tanta mesquinharia, e a vida perde tanto o brilho...

Notícias da Barra: talvez eu passe um tempinho sem voar para aqueles lados. (Eu não consigo, agora, pensar em nada além da angústia que sinto e o relógio que não estanca os segundos, nem por um segundo...) Voltemos à Barra (ou não voltemos), as notícias de longe não são exatamente animadoras. Reli o post anterior a este. (Levanto-me e pego o telefone, finalmente). Cansada, cheguei em casa, coloquei o Milton no som, deitei-me no chão, acendi um insenso e por segundos consegui olhar para mim. (Agora, toca "Nuvem cigana", que é linda... Aquela do refrão "se você deixar o coração bater sem medo..."). Observei, pois: estou olhando para mim, para o caos ordenado dos meus livros dispostos junto com pequenas coisinhas na estante (coisinhas tais como caixinhas de papel, fotos, gnomo que o Sérgio me deu há muitos anos... Ah!), tudo na minha frente, sobre mim, e, do lado esquerdo, os livros novos que chegaram e que nem tive tempo de desembalar. Nem senti o cheiro de novo que eles têm! E, finalmente, esqueci-me das notícias da Barra e lembrei-me de quem eu sou.

Andei sendo o que eu não era. Perdi o chão, cri em pessoas duvidosas, escorregadias, joguei-me e acreditei num trabalho, e estou, aos poucos, relembrando-me da antiga Eu. Tenho a sensação horrível de aminésia, ou morte. Sensação de ter passado um ano não-eu. E agora ter de parar e gritar: volte aqui, mulher! É tudo muito estranho. Há coisas que sumiram da memória. Não estão mais como aquelas lembranças das quais até a idéia do cheiro arrepia e dá saudade. Saudade, mesmo, de mim. Vontade de ter um porto seguro, humano. Cansada um pouco da solidão (ah, essa relação de amor e angústia com a solidão...)

Tenho tentado, nas viagens para o Fundão, ler alguns livros: comecei e ainda não saí d"O Processo", do Kafka. Livrinho, dirão os leitores. É! Entre tentativas com ele, li outras coisas na cama... Melhor assim, mais confortável! Dentre os livros ainda embalados está o novo do Saramago. Talvez o saque hoje, e comece uma nova aventura saramaguiana... Fico animada com as possibilidades de novas leituras. Na verdade, devo confessar que amo a literatura da minha língua de tal forma que tenho dificuldades para penetrar em outros mundos... (interessante, pois isso tem muito a ver com a minha dificuldade em viajar, para fora do país, claro!)... Como em tudo eu penso um pouco, essa noite fica reservada para a abertura d"A viagem do elefante" (reparei a viagem no título...) e a minha viagem, que, muito em breve, se tornará muito real.

E então, quem sabe o Kafka?

Um comentário:

Anônimo disse...

eu li!!