segunda-feira, 29 de junho de 2009

Copiando...

Contardo Calligaris escreveu um texto na Folha, no dia 25/06/2009, cuja delicadeza de alguns excertos publico aqui, e deixo, a quem interesse, a ideia para ler todo! (Amores e Mudanças é o título bastante sugestivo)


"QUANDO A VIDA da gente está emperrada (o que não é raro), será que faz sentido esperar que um encontro, um amor, uma paixão se encarreguem de nos dar um novo rumo? Provavelmente, sim -no mínimo, é o que esperamos: afinal, o poder transformador do encontro amoroso faz o charme de muitos filmes e romances.
Os especialistas validam nossa esperança. Jacques Lacan, o psicanalista francês, dizia, por exemplo, que o amor é o sinal de uma "mudança de discurso", ou seja, na linguagem dele, de uma mudança substancial na nossa relação com o mundo, com os outros e com nós mesmos. Claro, resta a pergunta: o que significa "sinal" nesse caso?
Duas possibilidades: o amor surge quando está na hora de a gente se transformar ou, então, é por amor que a gente se transforma. Não é necessário tomar partido: talvez as duas sejam verdadeiras.
Seja como for, volta e meia, alguém me pede uma receita: como esbarrar num amor que nos transforme? A resposta trivial diz que os encontros acontecem a cada esquina: difícil é enxergá-los e deixar que eles nos transformem, ou seja, difícil é ter a coragem de vivê-los. Aqui vai um exemplo.
O filme "Tinha que Ser Você", escrito e dirigido por Joel Hopkins, além de ser uma pequena dádiva, oferece uma "dica" preciosa sobre as condições que fazem que um amor "engate". É a história de um encontro ao qual os protagonistas tentam dar uma chance - a chance de transformar suas vidas."

2 comentários:

Carla Mariana disse...

Perfeito!
Totalmente passível de se identificar com o que diz o texto.
Mas o mesmo me fez pensar em algo,que o amor a si mesmo também pode ser um engate a mudanças.
Enfim, apenas uma opinião.

su. disse...

unf :~