terça-feira, 21 de julho de 2009

Achados em momentos de despedida.

Acabo de perceber que eu falava menos de mim em 2006. Mesmo de qualidade duvidosa, publico aqui um texto de 22 de fevereiro de 2006 (se não menti a data!)

Canção em vigília

A canção penetra os ouvidos de sonhar
sopras as tuas notas
e vibram pétalas.
Despetalas o sexo.

Inerte, antes,
só o olor necessário
para que sobrevivas
aos tons que defazes em
bem rosa
mal negra
bem rubra
mal ocre.

Doce Pã,
orfeônica cor de relaxante brisa
tiras sons estelares
de cada mundo que sonhas.

Torna-me
um instrumento teu
e tocas os mais íntimos acordes.
Ainda que durmas
os olhos sabem a música.
A música que o
Universo
desconhece.

Tanges os fios negros
de meus cabelos.
E, no sangue que me corre
pelas veiascordas,
produzes vibrações sutis
como de um piano mágico.

Na canção de amor para flauta doce
tu ditas o tom.
A cada toque do olhar
a cada vez que me fitas
os lábios em sede
profunda.

Mergulho e ouço
só
o som que fazem
as bolhas de ar
clamando por teus dedos
plácidos, móveis,
títeres do universo
que os rodeia
em caóticos gritares pesares amares sonhares...

Doce Pã...
sopras meus poros
e deles fazes perfume
e me fazes vibrar
em consonância
com a vida.

Um comentário:

s.daedalus disse...

Eis aí um dos híbridos que tu és: caeiro-reis - com aromas da Arcádia clássica. Ah, ainda um saborzinho de Safo - acredite. Mas extremamente contemporânea - sempre.