Mesmo arrastando as pernas, ou arrastando a direita, deixando o resto para a esquerda fazer, peguei ônibus e metrô ontem para ir fazer meu tratamento com acupuntura na Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa. Para começar, fui extremamente bem atendida, e o tratamento foi impecável. Dois médicos novinhos, cuidadosos e graciosos.
Depois de agulhas, ventosas, mãos e moxa, fui ao Psi. Esperava jantar, mas ainda era cedo, então, comi um roti de feta com espinafre e cogumelos. Estava uma delícia. Depois, metrô de novo, e casa.
A noite foi horrível. Praticamente não dormi, com a dor na perna me perturbando. Às 5h, cedi e tomei analgésicos. Consegui descansar por uns 45 minutos e hoje fui ao médico na CUF. Realmente, me senti desenganada. Amanhã, mais exames, e, ainda hoje, muitos remédios que dão cabo do meu sistema gastrintestinal (sic).
No meio da crise de dor, uma crise de saudade do Brasil e pensamentos vários sobre a minha condição hoje, o meu estar-no-mundo. Isso é sempre bom, quando não é tão recorrente como têm sido os meus pensares. Pensares sobre mim mesma, sobre as coisas que me fazem mal, sobre autoestima e raiva.
No que diz respeito ao que me faz mal, penso que já tenho um caminho de luz na minha frente: reconhecer é o princípio para mudar, tal como a dúvida é um apelo à pesquisa. Gosto desses estados de coisas e de alma que me colocam contra a parede e me fazem olhar para mim mesma.
Quanto à autoestima, esta vai bem muito embora esteja um pouco afetada por um problema real na minha perna, sem razão concreta. É o corpo reclamando cuidados e dando pistas do que se passa pela cabeça. Bom lembrar que tudo começou com um estado de stress profundo, e depois se agravou quando se agravou o mesmo stress.
Quanto à raiva, sei que devo trabalhá-la melhor. Ela trava o caminho. De novo, reconhecer é bom para mudar. Andei passando por momentos de muita raiva em ST, raiva confundida com paixão, com carência, e com um sentimento de solidão que me fez permitir entrarem em minha vida coisas e pessoas que só me fizeram mal. E que, agora, me ensinam a crescer e a observar o mundo ao meu redor de outra maneira. Não errar de novo, e pensar que mereço bem mais do que o que tive, são os objetivos de agora. Também é bom ter objetivos, arrancar da dor uma forma de amar-me mais, e selecionar com mais cuidado as pessoas que permitirei entrar no meu nicho de paz e de sossego.
Li numa plaqueta do Psi uma frase que me fez aprender mais ainda - compreender os últimos acontecimentos - sobre as nossas atitudes humanas (incluindo o que é mal e bom no sentido de "humano"): "Tem tanto cuidado com o final como tiveste com o início e nunca conhecerás o fracasso". No início fiquei pensando: ahhh, se as pessoas pensassem assim, com essa clareza... E depois percebi que isso é para mim, junto com aquele ditado antiiiigo: não faça com as pessoas o que não quer que lhe façam. É uma espécie de aprendizado ao revés. Por ter passado por algo que eu não faria com alguém, agora, devo continuar agindo com a mesma integridade e dignidade com que agi. E, humana que sou, deixei fluir a raiva e sinto que não sobrou muita coisa e que ela está se extinguindo, aos poucos, como deve ser todo processo de crescimento. Como diria minha amiga T., pessoas desonestas é o que mais há no mundo. Importa é reconhecê-las pelo cheiro. E sentir-se merecedor de coisas melhores, sempre. Não vou deixar que a história se repita.
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