segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Recolhendo-me

Em 2002

Hoje estou sentindo muita falta de ter com quem falar. Não sei o que me ocorre, um vazio, uma saudade. Vontade de compreender o que se passa dentro de mim. Saudade do Natal (... ahh... "A casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas...")
Saudade do Natal que virá sem ele. Saudade do ano novo mais lindo que passamos. Saudade dos que não virão. ("Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira")
Por que isso agora? Essa saudade? Por que não consigo me livrar da dor da perda? Por que vazia? Incompleta?
Li Pessoa há pouco.
Como é lindo.
As palavras que escrevo agora não são como o meu pensamento. Já não sei mais que dizer. Sinto-me, nas emoções, como Álvaro de Campos; na tentativa de equilibrar, Caeiro (ou Reis?). Na vontade de ser eu, Ortônimo(a).
Minha cabeça já não dói, ela arde.
Como é literatura sem compartilhar?

Cabeça ardendo, mestrado... Onde estamos nós, meu amor? Em que linhas nos escondemos? Em que névoas?
Meus pensamentos é que são névoas.

"Ah! A angústia, a raiva vil, o desespero/de não poder confessar/num tom de grito, num último grito austero/meu coração a sangrar./Falo, e as palavras que digo são um som/sofro, e sou eu./Ah! Arrancar à música o segredo do tom/do grito seu./Ah! Fúria de a dor nem ter sorte em gritar,/de o grito não ter/alcance maior que o silêncio, que volta do ar/na noite sem ser!" (O Pessoa)

Hoje, em 2008, eu fico pensando no quanto isso era ingênuo, e no quanto eu mesma continuo ingênua. Alegremente.

Um comentário:

Reynaldo disse...

A-DO-REI o seu blog, Naduska.

Que saudades de você!

Um beijo e já estou relacionando você, seu blog, no meu blog.

Um beijo
Rey