Arestas que estou aparando...
Estou, agora, fazendo um esforço para pensar quantas vezes descumpri, esse ano, alguma promessa que eu tenha me feito para 2009. Descobri que descumpri algumas, mas nenhuma exatamente grave (fiquei triste duas ou três vezes; não caminhei na praia, pois tinha certeza de que não teria disciplina nas férias; lembrei rapidinho de sentimentos ruins relacionados a pessoas que entraram mal na minha vida, e os expurguei logo logo).
Mas o pecado mais grave, gravíssimo, foi ter deixado entrar na minha casa, ainda que via computador, mágoas e infelicidades que não me pertencem. Como assim? Assim que eu abri conversa com pessoas para as quais eu não deveria dar trégua. Isso me soa radical: não posso dar trégua. Mas é bem assim. Há coisas e há pessoas que devem ser cortadas pela raiz e se der, ainda dar uma olhada pra ter a certeza de que não vai brotar de novo nada proveniente daquela relação com a coisa ou com a pessoa.
Eu não posso dizer que cometi o pecado de ficar triste porque vou sentir falta da escola em que trabalhei; isso não é pecado (e aqui essa palavra está sendo usada sem nenhuma conotação teísta, isso deve ficar claro), enfim, é humano, é demasiado humano. Estranho seria se eu estivesse saltitando de alegria porque deixei um espaço de que gostava. Então, não pequei com relação a isso. Vivi, e estou vivendo, intensamente, até a última gotinha, a perda, a saudade, e a dor que ainda me vem pouquíssimas vezes, e cada vez mais raras. Sei que de lá, os frutos bons vão ficar, e já posso prevê-los.
Falei com uma pessoa que foi bem ruinzinha num período da minha vida. Curto, curtíssimo, mas nisso tem pecado: é aquela vontade de abraçar todo mundo que é infeliz e radical (e que pensa de si exatamente o contrário), e tentar fazer - você, que gosta de carregar um peso nas costas - com que esse infeliz perceba o mundo de outro jeito, perceba que o afeto é possível, que a confiança é "legal" e que amor é muito bom... Tudo bem, até aqui, o sujeito parece que está entendendo tudo e de repente, tudo degringola. Pecado. Dentro desse pecado, cometi outro: fui tão agressiva com ele quanto ele costumava ser comigo. Dura, cortante. Ora, essa palavra, cortante, vai mudar de rumo aqui: cortante sou eu agora em mim e o compromisso público de cortar mesmo esse um do meu caminho. Ok. Feito. Estou perdoada?
Mas tem o outro lado de tudo isso: as promessas cumpridas estão indo deliciosamente bem. Canto, me solto na vida, aproveito as delícias do ócio; divido, torno-me indivizível em outros momentos, como o que gosto, bebo o que quero, e estou praticando a alegria e a leveza. Se tem dado certo ou não, o tempo e o corpo dirão. Mas sei que estou me amando, e vendo uma história mais colorida de vida a se fazer nesse ano que ainda está engatinhando.
A propósito: O curioso caso de Benjamin Button é um filme de quase 3 horas que não cansa. A história é linda, a angústia é linda. Brad Pitt cada vez mais lindo. Cate Blanchet ainda mais linda. Um universo de muita beleza foi criado para discutir exatamente o, mais uma vez, delicado poder do tempo, o inexorável fim de tudo e de todos nós, independentemente do lado para que aponte a seta do fim. Eu não sou crítica de cinema. O máximo que faço é dizer se gosto, quando gosto muito: ficam as minhas impressões amadoras!
2 comentários:
1º- eu vou sentir BASTANTE saudade de você, principalmente nas aulas de quinta a tarde (que apesar de estressantes eram beeem engraçadas)
2º- eu concordo com tudo que voce disse sobre o filme!
beijos
Minha doce e pequena Nadja,
essa manhã vi um arco-íris e lembrei-me de você. li agora suas últimas postagens e fiquei muito feliz com o que percebi: você está
cada vez mais
suave !
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