sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Resíduo

I) Não, ainda não é o poema de Drummond. Mas ele virá. Sob o signo da leveza, da fala gostosa e das aulas de canto (agora eu tenho um professor, e eu adoro, como professora, ter um professor!!!), das expectativas ainda latentes no peito vivo, muito vivo, sob o ritmo da minha paixão pela sala de aula, encontrei, em minha agenda, um poemazinho (assim mesmo, com carinho) que escrevi - muito sem a pretensão de ser poema - inspirado em umas meninas adoráveis, lindas (todas lindas), completamente "maluquinhas", que foram minhas alunas numa escola distante no tempo e no espaço e na lembrança. Pensei se deveria arriscar aqui o protopoema (brinco de usar e de não usar hífen, até que eu apreenda as novas regras!), e resolvi arriscar. Eu poderia dizer os nomes de cada uma dessas minhas meninas, mas creio que elas se saibam em cada linha...


as meninas me enchem de
alegria
e
tédio.
são o devir da angústia
suas faces coloridas.
não sabem que a vida
é também
preto
branco
cinza
solidão.

as meninas têm um
quê
gostoso
de angústia.
têm um quê a mais.

têm a fala
deliciosa-
mente incoerente
que não ensaia nada.

as meninas são lindas
lindas como são.
e me enchem de alegria e de
saudade.
e de tédio.

eu quero cuidar das meninas.
guardá-las no bolso
e levá-las para mim
e deixar o para sempre
ser o nosso
tempo.
quero transformá-las em meus
bi
be
lôs!

prendê-las à parede de minha
alma
como
futuras
obras-de arte.

ah, meninas! como são
deliciosas
as horas
- insuportáveis -
com vocês.

as Meninas
enchem-me de melancolia
e Vontade.


II) Na sequencia do Queime depois de ler - sequencia interrrompida sem mas nem porquês - eu encontrei uns bilhetinhos lindos. Era um pedido de mão, para não despencar da vida... para não perder o chão. E um outro, que era uma declaração muda, um pedido, uma vontade de não viver o abandono. O que se lê em ambos é:

"F.,
pensar e esperar (n)o dia de te encontrar aliviam as tantas tristezas dessa vida sem remédio. Não quero me enganar, embora saiba que tu mesmo és o engano. N." (02/12/2008)

"F.,
quero que sejas o meu sossego, o meu porto seguro, o Cais em que Eu, nau perdida nos mares cariocas, possa atracar e - descansar. N." (03/12/2008)

Na sequencia dos pequenos desejos, uma anotação importante:

"F.,
aquilo que parecia não ter fim, acabou hoje, sem pompas, sem palavras. Tacitamente vejo o fim. Sinto-me aliviada. Feliz. Triste. Desesperançosa. N." (19/12/2008)

4 comentários:

Anônimo disse...

Justamente o que a torna encantadora: a não pretensão de ser uma poetisa.

Deveras interessante o poema.

Debora disse...

meus olhos encheram-se d'água! as meninas do lado esquerdo iriam gostar de ler isso..

Anônimo disse...

Pequena Nadja,
você é a mais linda de todas as meninas! esse poema é tão suave, que parece ter sido soprado pra fora de você. adorei !

Anônimo disse...

Naduska, a dé mostrou seu poema p. todas nós! Muito, muito lindo e sincero. Adorei! Sentiremos saudades...